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Sistema OCB lança Agenda Institucional com prioridades para 2026

18/03/2026

O cooperativismo brasileiro lançou, na noite dessa terça-feira (17/03), em Brasília, a Agenda Institucional do Cooperativismo 2026, com  as principais propostas do setor para fortalecer o ambiente de negócios das cooperativas e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social do país.

Elaborada a partir das demandas das cooperativas de diferentes ramos e regiões, a Agenda é o principal instrumento de interlocução do movimento com os Três Poderes. O documento reúne prioridades do movimento e reflete os desafios e oportunidades enfrentados pelo setor em um cenário de transformações econômicas e regulatórias.

O lançamento foi realizado pelo Sistema OCB e reuniu parlamentares, representantes do Executivo e do Judiciário, além de lideranças cooperativistas de todo o Brasil. A mesa de abertura contou com a participação do presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas; da presidente executiva Tania Zanella; do deputado federal Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop); da senadora Tereza Cristina (MS), vice presidente da Frencoop no Senado; e de Jorge Meza, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil.

Ao apresentar o documento, o presidente Márcio destacou o caráter técnico e coletivo da construção da Agenda. Segundo ele, o conteúdo reflete diretamente as necessidades trazidas pelas cooperativas. “A Agenda é construída a partir daquilo que as cooperativas vivem no dia a dia. Ela reúne prioridades que envolvem o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, sempre com propostas possíveis, que orientem as decisões públicas e contribuam para melhorar o ambiente de atuação das cooperativas”, afirmou.

A edição de 2026 reflete um momento estratégico para a atuação institucional do cooperativismo. Marcado pelo calendário pré-eleitoral e por debates relevantes no ambiente regulatório, o setor deverá concentrar esforços em pautas consideradas prioritárias, buscando consolidar avanços e evitar retrocessos.

Entre os temas acompanhados no âmbito do Poder Executivo está a regulamentação da Reforma Tributária, especialmente no que diz respeito à preservação do tratamento adequado ao ato cooperativo no novo sistema tributário nacional. A medida é considerada essencial para garantir segurança jurídica e competitividade às cooperativas.

Outro ponto de atenção é a modernização da jornada de trabalho. Para o presidente Márcio, o tema exige equilíbrio e previsibilidade. “Não somos contrários à mudança, mas ela precisa considerar os impactos nos diferentes setores. Há realidades distintas dentro do cooperativismo, e é fundamental que essa transição seja construída com responsabilidade”, pontuou.

Também estão no radar do setor a regulamentação de leis recentes que ampliam o espaço de atuação das cooperativas em áreas como seguros e telecomunicações — avanço considerado estratégico para diversificação de mercados —, além do fortalecimento de políticas públicas e linhas de financiamento voltadas ao desenvolvimento produtivo e regional.

No Legislativo, a atenção se volta para projetos que ampliem o acesso das cooperativas a instrumentos de crédito, reduzam entraves regulatórios e criem condições para a expansão do modelo cooperativista. Já no Judiciário, o foco está em temas que impactam diretamente a segurança jurídica, especialmente questões ligadas ao tratamento tributário do ato cooperativo e à interpretação de normas regulatórias.

Mesmo diante de um cenário político mais desafiador, a estratégia do setor é manter presença ativa e organizada. “Sabemos que será um ano de menor produção legislativa, mas queremos consolidar posições e garantir que pautas sensíveis ao cooperativismo avancem ou, ao menos, não retrocedam”, acrescentou Márcio.


20 anos de uma agenda de diálogo

A edição de 2026 tem um significado especial: marca os 20 anos da Agenda Institucional do Cooperativismo, publicação que se consolidou como referência no diálogo entre o setor e os Três Poderes. Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, a trajetória da Agenda acompanha o próprio amadurecimento institucional do cooperativismo brasileiro. “Ao longo desses 20 anos, construímos um canal sólido de diálogo com os poderes públicos. A Agenda traduz as prioridades de mais de 26 milhões de cooperados e reforça o papel do movimento como solução para o desenvolvimento do país”, destacou.

Ainda Segundo ela, o documento vai além da apresentação de demandas. “Nossa intenção é mostrar que o cooperativismo pode ser cada vez mais utilizado como instrumento de transformação econômica e social, capaz de ampliar  oportunidades e contribuir para enfrentar desafios estruturais do Brasil”, acrescentou.

A Agenda 2026 reúne 61 prioridades em tramitação no Congresso Nacional e 38 propostas voltadas ao Poder Executivo, além de mapear temas relevantes no Judiciário. O levantamento considera um universo amplo de proposições e seleciona aquelas com maior impacto para o setor.

 

Reconhecimento e apoio institucional

Durante o evento, parlamentares e representantes de instituições destacaram a importância do cooperativismo para o desenvolvimento do país.

Arnaldo Jardim ressaltou o papel da Frencoop na articulação das pautas do setor no Congresso Nacional e destacou conquistas recentes, especialmente em áreas como infraestrutura, energia e telecomunicações. “O cooperativismo tem mostrado sua capacidade de gerar desenvolvimento com inclusão. Nosso papel é garantir que esse modelo tenha espaço e segurança para continuar avançando”, declarou.

Representando a FAO no Brasil, Jorge Meza destacou a importância da cooperação para enfrentar desafios globais como segurança alimentar, mudanças climáticas e desigualdade. “Os desafios são complexos e interligados. O cooperativismo é um exemplo de solução baseada na articulação entre diferentes atores, fundamental para promover um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo”, salientou.

A senadora Tereza Cristina reforçou o impacto das cooperativas, especialmente no interior do país. “Elas levam crédito, assistência técnica e organização produtiva para onde muitas vezes o Estado e o mercado não chegam. Isso fortalece a economia local, gera renda e melhora a vida das pessoas”, afirmou.

Sistema OCB

 

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