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Cooperativismo é a porta para novas iniciativas

07/04/2021

 

Vivemos tempos difíceis. Você trabalhou durante anos em uma empresa e é profissional especializado em determinado setor. Aposentou-se, mas ainda se sente jovem e cheio de energia. Pior se em meio à crise de desemprego provocada pela Covid-19 foi demitido e não consegue recolocação. Pare e reflita. Por que não unir forças com outras pessoas que compartilham de experiência e conhecimento similares aos seus? O cooperativismo é uma porta que se abre, é uma luz no fim do túnel. É uma janela de oportunidades. Você pode fazer parte de uma cooperativa, ou idealizar uma nova, se juntar a outras pessoas e todos terem nova fonte de renda.
 
Para o advogado Waldyr Colloca, especializado em cooperativismo, uma cooperativa de trabalho pode ser a saída. “Enquanto as demais cooperativas servem para incluir ou reincluir empreendedores de qualquer idade no mercado de negócios, as cooperativas do ramo serviços são aquelas que, por natureza e vocação, se consubstanciam na mais preciosa e adequada ferramenta de (re)inserção dos profissionais excluídos no mercado de trabalho.”
 
Agravada pela Covid-19, a crise econômica fez explodir o número de pessoas sem trabalho e renda. Fechamos o 3º trimestre de 2020 com 14,1 milhões de desempregados – taxa recorde de 14,6%, sem incluir os cerca de 35 milhões de trabalhadores informais, sobrevivendo de serviços temporários, de pequenos bicos ou do comércio ambulante.
 
"Prazo de validade"
 
O mercado de trabalho, historicamente, sempre carregou a tendência de substituir profissionais mais velhos por pessoal mais jovem, um cenário agravado pela Covid-19. Muitos optam por esperar, apostando no sucesso das vacinas e na retomada a curto prazo da atividade econômica. Outros, jovens ou acima dos 50, optam por empreender e dar novo rumo à carreira. Para Colloca, as pessoas estão vivendo cada vez mais, com mais saúde, e precisam ter seu “prazo de validade” atualizado. Mas como no meio empresarial ainda “viceja a cultura do descarte”, um “número crescente de pessoas necessita desesperadamente encontrar novas formas de obter renda por mais tempo”.
 
Há outros fatores determinantes para continuar a trabalhar após os 50, 60 ou mais anos, como a perda progressiva do valor das aposentadorias - para quem teve a felicidade de se aposentar –, em contraponto com o aumento da expectativa de vida. De acordo com o IBGE, em torno de 10% da população nacional têm hoje mais de 65 anos. Nessa faixa estarão 25% da população até 2060 – 1 em cada 4 brasileiros será considerado idoso. A expectativa de vida saltará de 76,3 anos para 80,3 anos em 2040 e para 83,5 anos em 2060. Se você desejar manter sua qualidade de vida precisará, além de hábitos saudáveis, buscar fonte alternativa de renda. Nada melhor do que o cooperativismo.
 
De acordo com a pequisa GEM Brasil 2019, divulgada pelo “O Estado de S.Paulo”, apesar de os mais velhos representarem apenas 12,4% dos empreendedores iniciais, eles têm maior taxa de sucesso, calcados em mais experiência e planejamento. Cada vez mais o cooperativismo, onde tudo é feito em conjunto, ganha espaço no mundo, como alternativa à sociedade atual. O economista norte-americano Jeremy Rifkin afirma que o capitalismo perderá sua hegemonia no mundo em meados deste século, dando lugar à economia colaborativa, compartilhada. “As constantes crises ocorridas no capitalismo contemporâneo, especialmente a partir de 2008, nos mostram que o modelo superconsumista e materialista em que vivemos não é mais sustentável em todas as áreas da atividade humana e para o planeta como um todo” afirma o escritor e consultor Marcelo Correa Medeiros.
 
O cooperativismo nasceu em Manchester (Inglaterra), no bairro de Rochdale. A 1ª cooperativa dos tempos modernos foi criada em 1844 por 28 operários – 27 homens e 1 mulher, em sua maioria tecelões. Quatro anos depois, em 1848, na Alemanha, foi formada a primeira cooperativa de crédito. Foram reações à crise que assolava a Europa. Não é diferente nos dias de hoje. Quando as pessoas se unem, tornam-se mais fortes. É o “milagre da cooperação”, diz o título de um dos livros de Medeiros.
 
Operam hoje no mundo 3 milhões de cooperativas. Reunem 1,2 bilhão de cooperados e geram 280 milhões de postos de trabalho. Pelo menos 150 países contam com o apoio de cooperativas para crescer. No Brasil, são 6.828 cooperativas, 14,6 milhões de cooperados (36% mulheres) e 425,3 mil postos de trabalho. Os dados são da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e referem-se ao exercício de 2018. 
 
"Comecem com os mais velhos, sigam adiante com os mais jovens e se perpetuem com os mais sábios"
 
A OCB organizou nosso cooperativismo em 7 ramos – Produção de Bens e Serviços (antigo Ramo Trabalho); Infraestrutura; Consumo; Transporte; Saúde; Agropecuário; e Crédito. Antes de colocar em prática o plano de criar uma cooperativa, pesquise, estude cada um desses ramos, ouça um especialista, converse com lideranças cooperativistas e busque informações junto à OCB e a suas organizações filiadas em cada Estado.
 
O advogado Waldyr Colloca, ao lembrar que “as cooperativas são, em essência, instrumentos de inclusão”, levanta questão determinante para o sucesso de projetos cooperativos criados por empreendedores “descartados” pelo mercado de trabalho. Eles precisam buscar “a integração entre gerações”, precisam lutar pela “inversão dessa perversa lógica, segundo a qual uma geração precisa desaparecer para dar lugar à outra, precisam aceitar de braços abertos o ingresso de associados mais jovens”.  Ele até sugere incluir no Estatuto da cooperativa uma cláusula nesses sentido, mesmo não obrigatória. 
 
Para Colloca, “inclusão, sinergia e resistência são, talvez, as características mais marcantes e importantes do cooperativismo.” Seu recado é precioso: “o melhor conselho que eu posso dar para as pessoas interessadas na ideia de constituir uma “cooperativa da maturidade” é uma espécie de síntese de tudo o que foi tratado aqui: comecem com os mais velhos, sigam adiante com os mais jovens e se perpetuem com os mais sábios.”

Revista EasyCOOP