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Consciência da natureza cooperativa

No primeiro sábado de julho de cada ano comemora-se em mais de cem países o Dia Internacional do Cooperativismo.


Circula, mundo afora, a mensagem da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), com sede em Genebra, Suíça, com o título “Impulsionando a recuperação global por intermédio das Cooperativas”, fruto de estudos feitos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).


Esforçando muito para desincumbir-me da nobre missão que me delegou a especial amiga Lídia Costa, editora da revista Gestão Cooperativa e também do informativo Tribuna Rural, debrucei-me sobre a mensagem da ACI deste ano e busquei relembrar um pouco do que sei e do que aprendi com ilustres mestres brasileiros e portugueses sobre cooperativismo para trazer à reflexão – e quiçá ao debate – daqueles que me derem a honra de ater-se a estes breves pensamentos.


O arcabouço legal brasileiro define a cooperativa como uma sociedade simples, regida por lei específica, formada especialmente por pessoas físicas, ainda que nela possam participar entes jurídicos, caracterizando-a por um tipo de organismo singular, distinto de quaisquer outras formas societárias. Sintetizando, seria como se dissesse que a cooperativa existisse para privilegiar o trabalhador – homem e mulher, sem preconceito de etnia, cor, religião, identidade ideológica ou idade – em detrimento daquilo que é a essência do capitalismo – o capital, o dinheiro!


Talvez resida aqui, nesta visão, por excelência humanitária, o muito do que acontece de ruim em muitas cooperativas: a míope interpretação, especialmente nos ambientes políticos e de poderes executivos, de que a cooperativa é entidade beneficente, sem fins lucrativos, de ação assistencialista, a ser usada em momentos de crise ou quando a abundância de dinheiro público não é tão abundante assim!


E não se pode esquecer, ainda, que há na sociedade inúmeros espertalhões de plantão à espera dos incautos carentes daquilo que lhes é essencial: uma moradia, um trabalho, etc.


Ledo engano. A cooperativa é uma “empresa” como outra qualquer. Só que diferente. Gera riquezas pela força solidária daqueles que a compõem. Distribui-as de forma justa e equitativa, proporcionalmente à participação laboro-intelectual de cada um. E o faz nos moldes democráticos. Dá ao capital o dinheiro que os cooperados nela alocam, o adequado tratamento para gerar o benefício social que os sócios-coperados almejam, tendo em vista que, individualmente, possa lhes ser mais complexo alcançar. E aqui cabe bem uma das definições do presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas: a eficácia social de uma cooperativa depende da eficiência de como ela é gerida.


O presidente Lula diz que quer fazer do Brasil uma nação cooperativa. Comparativamente a outros governos, até que já contribuiu muito.


Expoente máximo do cooperativismo brasileiro, o ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Aliança Cooperativa Internacional Roberto Rodrigues defende que “a cooperativa é o braço econômico da organização social”.


O governador Arruda é, na qualidade de homem público, um cooperativista e ao longo da sua vida parlamentar deu grande demonstração disso. Todavia, as poucas ações para estimular o cooperativismo em seu governo, lamentavelmente, são assistêmicas, pouco eficazes no contexto daquilo que pode um estado fazer pelo movimento cooperativo.


No ambiente parlamentar não se pode contar de uma só vez nas duas mãos a quantidade de deputados distritais que tem o DF. Se se lhes perguntar, é possível que os 24 se mostrem “identificados” com o cooperativismo. Mas, lamentavelmente, não se contam nos dedos de uma só mão aqueles que realmente agem em prol do cooperativismo. Mas não se surpreenda, caro leitor, idêntica situação é observada em todos os parlamentos brasileiros, do municipal ao federal!

Volto à mensagem da ACI, que formula e responde a seguinte pergunta: por que as cooperativas são capazes de sobreviver e, de fato, prosperar em situações de crise? é o modelo. A empresa cooperativa é um modelo de empresa alternativa, que em lugar de enfocar o lucro focaliza as pessoas, aumentando o poder delas no mercado, enquanto baliza suas operações nos princípios e valores cooperativos: livre adesão, gestão democrática, participação econômica, educação, formação e informação, interesse pela comunidade, ajuda mútua, solidariedade, transparência de gestão, dentre outros.


Urge, pois, uma nova tomada de consciência do que é e qual a importância do cooperativismo, haja vista que só no Distrito Federal as mais de 200 cooperativas geram relevantes benefícios sociais a 1/4 de sua população!


R. Marazi há 35 anos dedica-se ao
cooperativismo e é o presidente da
Organização das Cooperativas do Distrito Federal 
(OCDF) e do Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo 
(Sescoop/DF

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