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OPÇÃO DAS COOPERATIVAS
As tarifas avulsas de serviços bancários subiram até 328% entre abril de 2008 e fevereiro de 2010. O percentual é 33 vezes maior que a inflação do período (9,8%). Nos pacotes de serviços, a maior variação foi de 65,8%, sete vezes superior à inflação. Os dados são de estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec.
Para as pessoas físicas e jurídicas, as micro, pequenas e médias empresas, e as cooperativas empresariais e de livre admissão, existe uma alternativa mais vantajosa no mercado financeiro. São as cooperativas de crédito, que não tem por objetivo o lucro, mas por meio da cooperação, oferecer aos associados acesso mais simples a produtos e serviços financeiros com taxas e tarifas menores do que as oferecidas por outras instituições do sistema financeiro tradicional. Isto permite maior inclusão de pessoas ao sistema “bancário”, bem como protege a renda dessas pessoas, por permitir economia em relação aos bancos, além de devolver o resultado (lucro).
Em Santa Catarina, o maior sistema de cooperativas de crédito é o Sicoob – Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil – que completa 25 anos em 2010 com 275 agências em 195 municípios. É a segunda instituição financeira com o maior número de agências e o segundo maior financiador de crédito rural aos agricultores catarinenses. Possui 42 das 72 cooperativas em operação no Estado e que no ano passado, juntas, alcançaram R$ 768,8 milhões em ativos, com crescimento de 14%. O número de associados aumentou em 22%, passando de meio milhão de pessoas.
Estudos comprovam que as cidades que possuem cooperativas apresentam um maior Índice de Desenvolvimento Humano. Isso se traduz em qualidade de vida para o cooperado e sua família. O conceito de solidariedade e justiça social é a base do cooperativismo, pois é uma sociedade de pessoas que se unem em torno de um objetivo comum: a ajuda mútua.
Seja para o trabalhador ou para o pequeno e médio empresário, o cooperativismo de crédito vem se tornando uma ótima alternativa. As cooperativas de crédito esperam crescer entre 25% e 30% em ativos e créditos neste ano – índice que deve ser superior à expansão do Sistema Financeiro Nacional.
Com atuação cada vez mais presente nos centros urbanos, mas também nas áreas rurais, onde impulsionam a produção de alimentos, o cooperativismo de crédito oferece todas as garantias de um banco, basicamente os mesmos produtos, mas com muitas vantagens. Por não visarem o lucro, elas podem oferecer taxas de juros mais baixas – entre outros ganhos. O melhor deles é que, tudo aquilo que num banco corresponde ao lucro e que numa cooperativa é denominado de “sobras”, volta para o cliente na forma de capitalização da cooperativa e/ou diretamente em sua conta corrente. Porque numa cooperativa de crédito, as decisões são em assembleias gerais onde cada associado tem um voto. Mais do que um cliente, ele é o dono da cooperativa.
Apesar dessas e outras vantagens, as cooperativas de crédito respondem por cerca de 2% dos recursos movimentados pelo sistema financeiro do país. O grande desafio é tornar esse modelo mais conhecido e mostrar para a sociedade que o banco que o cliente sempre quis, não é banco. É uma cooperativa de crédito.
Rui Schneider da Silva, presidente da Sicoob Central SC
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