A palavra “política”, já foi considerada “palavrão”, há alguns anos atrás, quando pronunciada por alguém vinculado às cooperativas. Confundia-se ação política, com fazer política partidária. Enquanto outros segmentos econômicos e sociais se organizavam e apoiavam políticos para defender suas causas, às cooperativas ficavam de fora, porque não era permitido fazer política.
Antes de mais nada precisa esclarecer que apoiar politicamente alguém, não significa tolher o direito individual das pessoas em optar por esse ao aquele partido político. Ocorre muito nas comunidades e nas empresas, entidades ou instituições, apoiarem mais que um candidato, de partidos diferentes, especialmente na esfera parlamentar, setor onde surgem as leis e que podem atender a esse ou aquele interesse.
É levado muito mais em conta a afinidade com o setor, do que a sua sigla partidária. De outro lado, também precisa ficar claro, que nas cooperativas não pode haver divisões internas por questões de p olítica partidária. O líder e dirigente cooperativista têm que ter esse discernimento para separar o joio do trigo, e considerar mais importante a cooperativa, do que as posições políticas individuais.
Felizmente, em nível nacional, de alguns anos para cá está sendo superada a preocupação com a proibição política, e o assunto sendo tratado com a importância que ele requer. A final de contas, tudo o que acontece no nosso dia a dia na vida, passa por ações políticas e não adianta nos esquivar. Durante o encontro de Conselheiros de Cooperativas, realizado recentemente em Florianópolis, ficou claro que é importante a participação política.
O presidente da OCB-Organização das Cooperativas Brasileiras foi claro e objetivo ao afirmar que precisamos eleger pessoas que conheçam, vivam e defendam o sistema cooperativo e do agronegócio a fim de termos nas Casas Legislativas, representantes autênticos, que saibam e queiram nos defender.
O deputado Odacir Zonta, atual presidente da Frente Parlamentar do cooperativismo fez um verdadeiro relatório de suas atividades na Câmara Federal, mostrando as conquistas do setor, graças à ação de parlamentares que conhecem e defendem o cooperativismo. Da mesma forma o deputado Moacir Sopelsa, presidente da Frencoop estadual discorreu sobre as ações que os deputados estaduais gestionaram em beneficio das cooperativas. O deputado estadual Renato Hinning, membro da Frencoop em SC, originário das cooperativas de crédito foi feliz ao afirmar que na política existem dois tipos de cooperativista. Tem aqueles comprometidos e aqueles simpáticos com o cooperativismo.
Os comprometidos conhecem, assumem, defendem, e vão até o fim das causas do sistema. Os simpáticos, também conhecidos como “copa do mundo”, pois aparecem cada quatro anos, dizem que gostam, até falam em cooperativa, mas vão até um determinado ponto e depois os outros interesses, inclusive partidários, falam mais alto, e eles somem das causas do cooperativismo. Esse comportamento precisa ser monitorado e cobrado nas próximas eleições. As cooperativas, seus lideres e seus associados e familiares precisam observar quem realmente defende e quem só fala para a platéia. Apoiar, ajudar divulgar e votar em candidatos comprometidos com o cooperativismo não é crime, nem imoral, é obrigação dos integrantes do sistema. Vamos atentar para esse particular e certamente estaremos mais bem representados, e mais próximos de atingir as conquistas coletivas desejadas. Pense nisso.